Perugia, uma surpresa acolhedora

  As inscrições para o programa de mobilidade ERASMUS+, para o ano letivo 2021/2022, encontram-se abertas até dia 17 de fevereiro. Com o objetivo de dar a conhecer os destinos abrangidos para o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, o NECPRI irá publicar uma série de testemunhos dos vários alunos que participaram neste projeto europeu.

Experiência ERASMUS de André Abrantes (2019/2020)

Participar no programa Erasmus foi uma das melhores decisões da minha vida e, se voltasse atrás, faria tudo igual. Foi algo que sempre me interessou, desde a primeira vez que ouvi falar dele, e sabia que algum dia iria querer ter a experiência enriquecedora de que tantos estudantes europeus falam.

A parte inicial do processo foi algo complicada pois existem inúmeras opções de escolha. Percebi, desde o início, que iria optar por uma rota diferente do habitual. Foi a partir daí que comecei a dar atenção a Perugia, uma cidade no meio da “bota” italiana, da qual não tinha ouvido falar anteriormente. Embora me tenha candidatado também a destinos mais comuns, o facto de ser numa cidade a que poucos se candidatariam, ser num meio mais pequeno e acolhedor e em que teria mais oportunidades de fazer esta aventura sozinho, foram fatores cruciais desde o início para a minha decisão.

Acho que deve dar-se um benefício de dúvida a destinos como Perugia, que não são muito falados ou facilmente descartados. A inexistência de experiências de Erasmus nesta cidade ainda me deixou mais intrigado; vi-a como uma oportunidade de sair completamente da minha zona de conforto e lançar-me ao desconhecido e, pela primeira vez, não depender de alguém para algo.

Olhando para trás, estava certo em relação a tudo isto: foi uma experiência muito enriquecedora que me deu extrema valorização e crescimento pessoal, além de aumentar a minha independência, algo que sempre quis de início.

Para vos dar uma breve apresentação da cidade, Perugia é uma cidade localizada no centro de Itália, sendo a capital da região de Úmbria. É sobretudo conhecida pelos seus elementos medievais que podem ser vistos em toda a arquitetura do centro histórico, por ser a capital do chocolate (sendo casa da marca italiana mais famosa, a Perugina) e pelas atividades dinâmicas que apresenta o ano inteiro. Há sempre algo para fazer ou experimentar! Contudo, a que considero mais relevante é o Eurochocolate, uma tradição que acontece todos os anos pelo mês de outubro, em que a cidade se transforma uma autêntica Feira do Chocolate, produzindo-o para todos os gostos e feitios.

O centro histórico é sem dúvida a zona mais importante da cidade, encontrando-se a uma altitude de cerca de 500m. Miradouros e paisagens incríveis é o que não falta, sendo que o centro está bem conectado com a periferia e vários pontos importantes, como as estações de comboio ou autocarro, através de uma série de escadas rolantes ou o famoso MiniMetro, uma das inovações da cidade.

O custo de vida em Itália é mais caro, mas não é uma diferença abismal, pelo que mesmo os mais poupados conseguem viver aqui perfeitamente. Refeições em restaurantes e boas pizzarias, por exemplo, rondam os 10€. Em termos de alojamento, tive de procurar por mim próprio, visto que não havia residência universitária disponível, mas, se for feita uma pesquisa antecipada, consegue-se encontrar algo económico numa localização próxima do centro. Devido à sua localização central, Perugia é um ponto de fácil acesso para cidades importantes e turísticas, como Roma e Florença, estando a 3 horas destas, pelo que viajar por Itália não será um problema.

No que toca à universidade em si, em Perugia existem duas universidades principais: a FCSH tem um acordo com a mais pequena das duas, a famosa Universidade para Estrangeiros. O seu foco principal são os cursos de língua e cultura italiana, sendo mais comum encontrar-se aqui estudantes internacionais que italianos. Dito isto, os cursos de licenciatura e mestrado têm dimensões mais pequenas das quais estamos habituados, tendo as cadeiras que frequentei por norma 10 alunos na sala de aula. 

As aulas são lecionadas na sua maioria em italiano, mas não creio que haja grande dificuldade em acompanhá-las mesmo que não se conheça bem a língua. Achei o rumo das aulas interessante, visto que, havendo um número menor de pessoas, faz com que as aulas sejam menos de exposição e permite que haja uma constante interação entre professor-aluno, debate e esclarecimento de dúvidas. A principal diferença que notei foi no que toca aos exames, que normalmente são orais ao invés de escritos.

Um importante ponto a ressaltar para os mais apaixonados por línguas é que a universidade oferece acesso gratuito aos seus cursos de língua italiana, lecionado no Palazzo Gallenga, um antigo palácio (que dá outro charme às aulas).

Tudo o que precisa de ser feito é um teste inicial para verificar a que nível o aluno se encontra, e depois pode decidir frequentar essas aulas com regularidade ou não. No entanto, é de salientar que este curso pode ser incorporado no Learning Agreement! Eu aproveitei esta oportunidade porque comecei a interessar-me pela língua e recomendo tal, pois apesar de haver aulas diárias, aprendi e adaptei-me à língua e vida quotidiana graças a este curso, sendo que foi aqui que criei os maiores laços e conheci pessoas que levarei para a vida.

Considero a minha experiência diferente, pois não precisei de um núcleo de estudantes Erasmus para me divertir e aderir a atividades na maior parte. Aliás, a minha experiência ultrapassou muito o convívio europeu, foi mais um verdadeiro convívio internacional. Por ser uma universidade pequena, poucas pessoas fazem Erasmus nesta (a maioria dos estudantes Erasmus encontram-se na “universidade rival”) e, pela minha escolha de frequentar o curso de italiano, conheci pessoas dos quatro cantos do mundo.

Algo que se tornou um hábito foi a ida ao famoso Café Pinturicchio, próximo da universidade, onde se organizam variados eventos de convívio internacional, em que se conhece o mais variado tipo de pessoas e culturas, e onde se partilham histórias de vida intermináveis.

Concluindo, o facto de ter tido um Erasmus fora do comum foi um dos pontos que mais valorizo desta experiência, sinto que a tornou mais autêntica e interessante. Permitiu-me desenvolver uma mente aberta mais do que já tinha, pois foi o meu primeiro grande contacto com outras realidades e culturas. Poderia continuar infinitamente sobre o porquê do Erasmus valer a pena, mas a verdade é que é uma experiência muito pessoal e que depende de cada um. Apenas refiro que é algo que vos marcará para toda a vida e que recordarão sempre com um carinho especial.

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