Bremen, eine gemütliche Stadt
As inscrições para o programa de mobilidade ERASMUS+, para o ano letivo 2021/2022, encontram-se abertas até dia 17 de fevereiro. Com o objetivo de dar a conhecer os destinos abrangidos para o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, o NECPRI irá publicar uma série de testemunhos dos vários alunos que participaram neste projeto europeu.
Experiência ERASMUS de André Encarnação(2020/2021)
Por entre contos dos irmãos Grimm, Bratwürste e parques cobertos de neve,
Bremen provou ser o destino que melhor se adequava às minhas aspirações, mesmo
antes de me aperceber de tal.
Apesar de, no momento de abertura das candidaturas no meu ano, ter considerado
primeiramente outro destino (Praga), certos fatores pessoais fizeram com que
abdicasse da República Checa e me focasse na Alemanha. Porquê Alemanha? Bem, é
um país com uma qualidade de vida acima da de muitos países europeus; em termos
naturais, é possível contemplar o que (tradicionalmente) cada estação do ano
traz (e.g., em outubro toda a Alemanha se encontra em tons de
laranja-avermelhado e em janeiro a neve toma o seu legítimo lugar); eu tinha
começado a aprender alemão, que, por sua vez, é uma das línguas oficiais da
União Europeia; e, finalmente, o próprio caráter diligente (fleiβig) e goal-driven
da cultura alemã era algo que gostaria de entrar em contacto e aprender
com.
Posteriormente, fiz uma “exclusão de partes” e Bremen pareceu-me um sítio
calmo (mas cosmopolita), isolado (mas perto de tudo) e com um excelente
equilíbrio entre a parte histórica, urbana e natural – não desiludiu.
Ao chegar à Alemanha, a adaptação foi um processo gradual – como para
qualquer pessoa que percebe que deixou a sua zona de conforto e que iria passar
os próximos 5 meses num outro país –, mas tive a sorte de vir com um colega da
FCSH e de ter ficado num apartamento numa residência (muito bem localizada e
barata) com colegas de casa (Mitbewohner) de cinco países diferentes, o
que facilitou o processo de integração através da mútua partilha intercultural.
Adicionalmente, a Universidade proporciona um curso intensivo de alemão (para
os vários níveis), o que auxilia na comunicação do quotidiano e possibilita
que, em apenas 3 semanas, já tenhas completado 6 ECTS.
Relativamente ao modo de ensino (à distância), é diferente ao da FCSH: cada
unidade curricular tem apenas 90 minutos por semana e consiste essencialmente
em discussões dos textos atribuídos para as aulas e, mais no fim do semestre,
na possibilidade de fazer questões a membros de ONGs ou historiadores,
convidados para aulas específicas. Outra novidade: é possível optar por 3 ou 6
ECTS nas cadeiras - quem quiser 3 ECTS apenas deve participar ativamente nas
aulas, efetuar algumas tarefas e realizar um breve exame no fim, porém, quem
quiser 6 ECTS, deve fazer o previamente mencionado e realizar trabalho
adicional (dependendo da unidade curricular, poderá ser desde apresentações a
um trabalho de investigação, por exemplo.
Não vou negar que fazer Erasmus durante a pandemia da Covid-19 não é a
utopia que muitos estudantes desejam: houve inúmeros eventos a que não pude ir,
festas em que não dancei, beer tastings que não aconteceram e pessoas
que não cheguei a conhecer…
Não obstante, sinto que tive um Erasmus que me surpreendeu pela positiva,
considerando o período em que vivemos. Não só as aulas eram extremamente
acessíveis, como conheci colegas das mais variadas nacionalidades, viajei
(dentro da Alemanha) para cerca de 18 cidades (and counting), comi
Bratwürste e bebi Glühwein no Natal, envolvi-me em batalhas de bolas de neve e,
acima de tudo, sinto que aproveitei ao máximo o que me foi dado.
Agora, ao recordar as caminhadas pelo Bürgerpark ou as vezes em que comprei
Bremer Kluten na Schnoor – passando pelo centro da cidade que me acolheu
durante este período tão conturbado internacionalmente –, compreendo o porquê
de os músicos quererem incansavelmente chegar a Bremen.
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