Masterclass Amitav Acharya – ‘World Order and Rising Powers’

 

No passado dia 7 de dezembro pelas 18 horas, teve lugar a Masterclass sobre a ordem mundial e as potências emergentes dada pelo proeminente professor e investigador Amitav Acharya. Foi um enorme prazer e honra receber uma figura desta relevância na nossa área de estudo, que nos presenteou com uma brilhante exposição sobre o tema mencionado, seguida de um momento de Q&A.

Abordando vários pontos sobre a ordem internacional como o impacto do COVID-19, a crise económica, entre outros, o principal argumento do Professor foi que caminhamos para uma ordem mundial cada vez mais pluralizada e com centros de poder cada vez mais difusos, variando no seu caráter (atores estatais e não estatais) e localização geográfica. A globalização tem assumido contornos diferentes, sendo mais regionalizada, e há um deslocamento do centro de gravidade da economia mundial em direção à Ásia.

Os EUA perderam muita capacidade de liderança e a ordem que encabeçam, comumente tida como a ordem internacional liberal, está a perder legitimidade e terreno para outras ordens que proliferam por várias áreas do globo. Em contrapartida, há um crescimento das potências emergentes, principalmente da China e da Índia, que apesar de sofrerem ainda de constrangimentos internos sérios e hostilidades entre si, serão cada vez mais poderosas e influentes. No fundo caminhamos para um G+ e multiplex world, cuja explicação será melhor avançada pela obra de Acharya do que pelas nossas palavras:

(i) ausência de uma hegemonia global, embora persistam hierarquias; 

(ii) proliferação de vários atores cada vez mais poderosos, por exemplo, atores não-estatais, empresas e instituições regionais; 

(iii) uma interdependência complexa mais abrangente, que contempla o comércio, mas também supply chains, fluxos de investimento e problemas transnacionais, por exemplo, ambientais; 

(iv) uma estrutura de governança global multinível – global, regional, nacional e sub-nacional – e cada vez mais complexa, incluindo instituições formais, redes informais e estruturas híbridas; 

(v) múltiplas modernidades, ou seja, grande diversidade cultural, ideológica, política e económica (Acharya, 2018).


No fim, este foi um momento de reflexão fascinante e profícuo sobre um dos principais temas das Relações Internacionais contemporâneas, proporcionado por um dos maiores contribuidores da área. O NECPRI marcou, mais uma vez, lugar numa das discussões cruciais em que temos de incorrer enquanto sociedade e academia.







Comentários

Mensagens populares