Organizações Internacionais em Crise: Reforma ou Irrelevância?
Introdução
O presente artigo tem como objetivo analisar o enfraquecimento das organizações internacionais contemporâneas, abordando as suas causas, consequências e possíveis soluções para a sua revitalização. Inicialmente, será abordado o contexto de crise que afeta as instituições, evidenciando a crescente incapacidade de responder de forma eficaz os diversos desafios globais. Em seguida, será desenvolvido um estudo de caso sobre a Organização das Nações Unidas, examinando o seu papel histórico, as limitações do seu modelo institucional e a necessidade de reformas estruturais de modo a garantir uma maior representativa, legitimidade e eficácia nas suas ações. Por fim, o artigo refletirá se as organizações internacionais ainda podem ser agentes influentes no sistema internacional ou se caminham para a irrelevância no cenário multipolar atual.
Organizações Internacionais
As Organizações Internacionais representam um dos pilares fundamentais da relação entre Estados no sistema internacional contemporâneo. A origem das organizações internacionais que moldam a política externa nos dias atuais está profundamente relacionada a acontecimentos históricos do século XX. Um século marcado por intensas e importantes mudanças nas Relações Internacionais, pelo crescimento da globalização e interdependência entre Estados e por avanços tecnológicos e científicos. Perante a este cenário, e principalmente após as Guerras Mundiais, os Estados passaram a reconhecer a necessidade de criar estruturas permanentes de cooperação internacional. A sua atuação transcende fronteiras nacionais, promovendo a articulação entre diferentes áreas de interesse comum, nomeadamente política, segurança, cultura, economia, meio ambiente, entre outros. Neste sentido, as diversas Organizações Internacionais existentes desempenham um papel fundamental na promoção da paz e da segurança, no fomento da cooperação económica, bem como na resolução de conflitos e mediação diplomática entre Estados.
Crise das Organizações Internacionais
Consideramos como crise das organizações internacionais, o momento em que as OI apresentam patologias que impedem severamente a sua efetividade. Essencialmente, esta crise é uma crise de legitimação. Quer isto dizer que os principais atores começam a questionar o direito das OI de governar, criando uma discrepância entre o exercício de autoridade das organizações e aquilo que os Estados-membros consideram apropriado. O estudo de Maria J. Debre e Hylke Dijkstra é elucidativo neste respeito, ao conceptualizar um declínio absoluto, que corresponderia a uma diminuição no número de OI, da sua autoridade, no número de membros e na sua efetividade, e um declínio relativo, ou seja, uma diminuição da centralidade das organizações internacionais nas relações internacionais. Em termos mais simples, a crise das OI corresponde ao declínio da sua autoridade internacional.
Uma vez em crise, a organização internacional depara-se com uma série de problemas na sua capacidade material, institucional e de tomada de decisão. Deste modo, as OI perdem os seus mecanismos coercivos, ou seja, a redução da vontade das partes interessadas em cumprir as decisões coletivas e a dificuldade da organização em garantir o cumprimento das regras e dos acordos. Daqui decorre a diminuição de iniciativas legislativas e de políticas e, nos casos mais graves, o abandono dos Estados-membros, culminando na diminuição da sua relevância.
Importa agora reconhecer se tal crise ou declínio está realmente a acontecer. Vários estudos apontam para uma resposta afirmativa. O estudo referido anteriormente aponta que as OI atingiram o seu ápice em 1996 e desde então a tendência tem sido a da diminuição da sua centralidade nas relações internacionais. Atualmente, este indicador está próximo do nível verificado durante a Guerra Fria. Outro estudo confirma estes resultados e revela que apenas metade das organizações económicas estão a funcionar, com a outra metade a serem “zombies”, ou seja, que formalmente existem, mas sem qualquer progresso prático.
Tendo esta realidade presente, este artigo pretende apontar quais são as possíveis causas para a decadência das organizações internacionais. Não é possível delimitar causas únicas, uma vez que são interdependes, de carácter complexo e diverso. Comecemos por analisar o clima atual de conflitualidade entre Estados, que tem tido um impacto significativo na crescente irrelevância das OI. Nos tempos que correm, parece evidente que a sensação de instabilidade tem crescido, devido, fundamentalmente, a ameaças que debilitam a arquitetura atual do sistema internacional, nomeadamente o crescimento da China e a resposta dos EUA à ameaça percecionada. Esta é uma questão central, tendo em conta que as OI dependem de um sistema internacional estável, ou noutros termos, um sistema que não é atormentado por conflitos ideológicos e rivalidades de poder. A disputa pelo poder e influência cria um bloqueio nas OI que se tornam incapazes de cumprir a sua agenda. Assim, as organizações, atualmente, lidam com problemas de confiança e coordenação entre os seus Estados-Membros o que torna a cada vez mais difícil a gestão das relações entre grandes potências. Deste modo, a relação entre os poderes acontece principalmente fora das organizações internacionais, ficando estas reduzidas à impotência e à condição de participante na competição entre Estados.
Esta situação é sintoma de um problema mais abrangente, a denominada, crise da ordem liberal. Esta ordem encontra-se em ameaça pelo crescimento de países marcados por regimes iliberais, a expansão de governos populistas e a proliferação dos conflitos, cada vez mais frequentes. A administração Trump é mais um desafio a considerar, uma vez que está a desafiar abertamente o antigo consenso liberal. Como prova do seu desagrado pelas OI, Trump tem vindo a cortar fundos, a contribuir para a paralisação da OMC e a sair de diversas instituições como a OMS e a UNESCO. Sem o apoio dos EUA, as organizações enfrentam sérias ameaças. Outro fator evidente é a crise do direito internacional desacreditado por muitos Estados o que põem em causa a própria estrutura das organizações internacionais e a possibilidade de resolução de conflitos. Torna-se claro que a atenção dada à cooperação multilateral tem reduzido e o que antes era visto como pilar da ordem internacional, agora, para muitos, passou a ser considerado um obstáculo aos interesses nacionais e objeto de um gasto de dinheiro supérfluo.
A isto segue-se uma outra tendência, que é a preferência por canais regionais de cooperação ou cooperação intergovernamental, ao invés de canais universais e de cooperação não governamental. Isto porque os Estados, devido ao clima de desconfiança atual, têm relutância em ceder soberania e a depositar confiança em instituições que podem nem sempre servir os seus melhores interesses. Pelo contrário, dão primazia a veículos de cooperação onde eles é que definem os termos. Um bom caso é a Organização Mundial do Comércio que, para alguns países, é vista como um meio de dominação ocidental e da imposição das regras neoliberais. Por isso, são formadas alternativas regionais e de aliados próximos.
Esta relutância encontra origem na perda de legitimidade das OI, atualmente alvos de críticas por serem insuficientes e incapazes de enfrentar eficazmente os desafios atuais e futuros. Os vários projetos de paz falhados, como no caso da ONU, traduzem-se por um lado na diminuição da confiança pública e por outro na sensação de que as decisões tomadas são distantes da realidade dos países-membros. Devido à falta de capacidade de ação efetiva e coordenada a tendência atual é várias organizações serem reduzidas a fórum de discussões, como o Banco Mundial e o G20.
Uma outra questão importante a abordar é a falta de vontade política. Muitos Estados aderem às organizações internacionais, não por interesse genuíno, mas para evitar serem marginalizados pela comunidade internacional e para garantirem aprovação interna. Mesmo nos Estados que demonstraram interesse inicial, tem sido visível um esmorecimento dos seus compromissos políticos. A falta de vontade política leva à marginalização das OI e das suas agendas. Por último, mas não menos importante, esta falta de investimento provoca dificuldades diárias para as organizações internacionais que sofrem com orçamentos pouco fiáveis, deficiências operacionais e estruturais, recursos insuficientes e complexidade burocrática.
A evidência de que as organizações internacionais estão a tornar-se obsoletas, coloca-nos perante uma outra questão fundamental. Será que as organizações internacionais irão sobreviver? Vários estudos apontam que a morte das OI é o cenário menos possível, uma vez que é difícil desafiar por completo o status-quo da sua existência. Com isto concluiu-se que as crises de legitimidade não são deterministas. Deste modo, ainda há esperanças para considerar a possibilidade de reformas que devolvam às OI um papel central no sistema internacional e que maximizem as suas potencialidades. A palavra-chave para todas as reformas é adaptação às mudanças da ordem internacional.
Primeiramente, as OI devem reconstruir a base da sua legitimidade, promovendo regras internacionais mais justas e inclusivas, de modo a reforçar a responsabilização e a transparência. Seguindo essa lógica, todas as instituições devem tornar-se espaços inclusivos, que assegurem a igualdade entre as nações, o que implica uma distribuição de responsabilidades mais equitativa entre os membros, garantindo decisões mais transparentes e justas. No entanto, isto deve ser acompanhado pela criação de instrumentos que exijam maiores esforços por parte dos Estados-membros, bem como pelo desenvolvimento de mecanismos que garantam o cumprimento das normas das OI pelos Estados, nomeadamente através da exploração da opção de aplicação de sanções.
No entanto, isto deve ser acompanhado pela criação de instrumentos que exijam maiores esforços por parte dos Estados-membros, bem como pelo desenvolvimento de mecanismos que garantam o cumprimento das normas das OI pelos Estados, nomeadamente através da exploração da opção de aplicação de sanções.
Para além disto, devem ser consideradas novas formas de cooperação que envolvam atores não-estatais, principalmente, movimento sociais e a sociedade civil. Deste modo, as OI são libertas da monopolização da vontade dos Estados e dos políticos, recuperando o seu empoderamento, o que o que lhes permite trabalhar em direção a formas mais supranacionais e democráticas de governança global.
Ademais, é necessário superar as fraquezas institucionais das OI. Isso implicará criar estruturas mais ágeis, inclusivas e orientadas para ações efetivas, abandonando rapidamente aquelas que já não produzem resultados e melhorando a avaliação e o planeamento das missões. Estas ações devem priorizar simultaneamente as respostas aos contextos locais, nacionais, regionais e internacionais. Nas organizações que lidam com assistência humanitária, é preciso reforçar os esforços para responder de forma eficaz às crises, principalmente aquelas prolongadas e recorrentes. Assim, a prevenção e a preparação para emergências não podem ser descuradas. Para assegurar todas estas ações, é necessário cultivar uma liderança consistente e agendas coerentes. Deve-se ainda, aproveitar as vantagens comparativas das instituições e as sinergias para cumprir eficazmente as agendas.
As instituições internacionais precisam, igualmente, de considerar novos desafios globais e de tomar ações decisivas, principalmente no sentido de criar um novo quadro para regulamentar os dados e a inteligência artificial, baseando-se nos direitos humanos, no direito à privacidade e no desenvolvimento. Ao mesmo tempo, as OI devem aprofundar a sua ação em desafios globais que que têm mostrado poucos progressos, como o das alterações climáticas. Estabelecer relações mais estreitas com universidades e com a comunidade científica deve também ser seriamente considerado, de modo a explorar novas hipóteses de reforma e lidar com os diversos problemas transnacionais.
Estudo caso: ONU
A Organização das Nações Unidas completou, em 2025, 80 anos. Nasceu no pós-Segunda Guerra Mundial com o propósito de oferecer um espaço permanente de diálogo entre Estados soberanos de modo a evitar a escalada de futuros conflitos,garantir a paz e promover a cooperação para o desenvolvimento.
Ao longo das últimas oito décadas a instituição deixou marcas profundas, mostrando-se fundamental em importantes acontecimentos históricos, como a descolonização da África e Ásia, a Declaração dos Direitos Humanos, condenação do apartheid, entre outros. Contudo, a atuação das Nações Unidas em crises internacionais tem sido contestada nos últimos anos, com muitos analistas afirmando que a instituição tornou-se mais simbólica do que efetiva.
Diante a escalada de conflitos recentes em diversas regiões do mundo, como a guerra na Ucrânia, a ofensiva de Israel em Gaza e as tensões em países africanos, nomeadamente o Sudão e a Somália, a Organização das Nações Unidas tem se apresentado como pouco eficaz no cumprimento dos seus objetivos, enfrentando hoje um teste de credibilidade. Este ambiente inconstante exige respostas rápidas e decisões firmes. A incapacidade de prevenir ou resolver os desafios do mundo contemporâneo evidencia as limitações da instituição, levando ao fomento do ceticismo em relação à sua real capacidade em agir como garante da paz e promotora da cooperação entre Estados.
À medida que os conflitos persistem, os questionamentos relativamente à capacidade da instituição de apresentar soluções para os problemas globais aumentam, com muitos analistas afirmando que a mesma está presa a um modelo antiquado que favorece algunsEstados-membros. O uso do direito do veto no Conselho de Segurança pelos cinco membros permanente – Estados Unidos, França, Rússia, China e Reino Unido – é apontado como um grande obstáculo à ação da instituição em crises humanitárias e conflitos. Neste sentido, podemos abordar por exemplo os conflitos na Ucrânia e em Gaza. A Rússia veta resoluções que impactariam diretamente a questão da invasão à Ucrânia, resultando numa guerra que já persiste há quatro anos. No conflito entre Israel e Palestina, os Estados Unidos bloqueiam discussões sobre proteção de civis em Gaza, adiando o seu fim e limitando as ações da instituição. Estas decisões urgentes são vetadas por disputas políticas entre as grandes potências, influenciando negativamente a imagem de uma organização mediadora imparcial e efetiva na garantia da paz.
Ademais, a Organização das Nações Unidas não adaptou-se às novas dinâmicas do mundo contemporâneo, demonstrando uma demora significativa na resposta a crises, acentuando a sua irrelevância. Por outro lado, como referido anteriormente, a sua representação no sistema internacional é importante pelo que a reforma surge como um caminho inevitável e indispensável. É crucial que sejam procedidas alterações na composição de poder no Conselho de Segurança, que os mecanismos de responsabilização sejam reforçados e os processos decisórios tenham uma maior representatividade. Estes poderiam ser os primeiros passos para a recuperação da sua legitimidade perante o sistema internacional.
Somente por meio de um reforma estrutural profunda, a Organização das Nações Unidas poderá afirmar o seu papel como pilar da paz e da cooperação global, adaptando-se aos novos desafios do século XXI. A revitalização da instituição exige mudanças institucionais, bem como uma renovação do compromisso político dos seus Estados-membros com os princípios que fundamentam o multilateralismo e o Direito Internacional. Assim, as Nações Unidas poderá reafirmar o seu objetivo de origem, atuando de forma efetiva na promoção da paz, do diálogo e da ordem jurídica internacional baseada na cooperação entre Estados.
Conclusão
Deste modo concluímos que as Organizações Internacionais, devido à sua importância central na construção de uma ordem mundial mais pacífica e justa, não devem ser menosprezadas. É verdade que estamos perante um cenário de crise das OI, com um dos casos mais alarmantes sendo a ONU, mas também é verdade que isto não representa necessariamente o seu fim. Assim, esta crise deve ser entendida como um ponto de viragem. Reformar as instituições internacionais significa ampliar a representatividade, a transparência e a eficácia. Apenas por meio dessa renovação é possível consolidar novamente o multilateralismo no mundo atual.
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